“Não, não quero conversar
Eu sei que vai doer
Se o teu cachorro vir brincar comigo
Não, não vai adiantar
Falar como um neném
Você já não é mais meu bem
Não vou deixar você me ver chorar
Agora eu vou lembrar daquilo tudo
Que o meu pai falou pra mim
Não vou deixar você me ver sofrer
Eu tenho que aprender que todo grande amor
Acaba sempre assim.”
Armandinho.


Mas do lado de cá, eu que não deixei nem um pouco te de amar, fico pensando se é que você ainda lembra de mim. Digo, não precisa nem lembrar do jeito que eu lembro, todos os dias, todas as horas. Mas assim, de vez em quando, ao ver televisão quem sabe. Ou ao ouvir aquela música de que eu gostava tanto e te falava sempre.
Ontem eu desejei nunca ter te conhecido. E desejei de verdade. Eu queria te apagar, te excluir e não ter mais possibilidade de te restaurar, assim como faço com as fotos antigas do meu computador que não sei me desfazer nunca. Mas aí me lembrei que não dá, não dá pra fingir que o passado não aconteceu. Não dá pra fingir que não tá escrito aqui na minha testa ó: “Volta pra mim, vai.” Não dá. E mesmo que desse, eu não faria isso. Eu ainda quero me apegar a cada pedacinho de você, mesmo que pra isso eu tenha que me despedaçar inteirinha.
Porque é você. Na roupa que eu uso, no pentado que faço, na música que ouço, na piada que conto. É você quando acordo, quando tomo café apressada, quando esqueço o celular em casa, quando choro porque minha unha quebrou. É você quando almoço salada porque acho que comi demais de manhã, quando durmo cedo, quando me levanto tarde. Tem você em cada pouquinho de mim. Porque me entupi de você pra que não te faltasse em mim nunca.
Camilla Paixão.